James Van Der Beek senta no último degrau de um lance de escadas na portaria de um prédio, à luz do dia, envergando apenas uma cueca agarradinha. Ele reexamina sua vida, pensando em como seu primeiro professor de atuação pode ter se aproveitado dele na juventude, sem que ele tenha se dado conta disso. Sua estupefação deriva, portanto, de sua total inabilidade de compreender as coisas mais mundanas, e fora essa ignorância acerca das obviedades cotidianas lhe garantira, até aquele momento, proteção contra o trauma. Lhe resta agora absorver o fato, levantar-se e continuar com sua vida. E ele faz isso. De cuecas. Agarradinhas. Sua ignorância, então, nos garante risadas.
Saber rir de si mesmo é uma virtude, que deve ser cultivada com carinho. Eventualmente ela dá frutos, e um deles é a série Don't Trust the Bitch in Apartment 23. Antes condenado ao ostracismo, James Van Der Beek topou interpretar uma versão ficcionalizada sua na série, só que de forma afetada, espalhafatosa e, especialmente, obtusa. O personagem representa o estereótipo de ator inseguro e carente de atenção que nós supomos descrever qualquer personalidade hollywoodiana, mas com uma vantagem: a comicidade de sua interpretação é intencional, ciente de seus excessos, e isso transforma a vergonha alheia em entretenimento. James Van Der Beek se expõe desavergonhadamente, propositalmente, e, ao rir de si mesmo, rimos junto com ele.
Basta de pontificações sobre o porquê de assistir à série, embora seja a atuação de Van Der Beek talvez a principal razão. No episódio, June começa a trabalhar em uma firma de... negócios ou algo assim. Em seu primeiro dia, conhece uma colega simpática (e gostosa) chamada Fox Paris, que Chloe detecta ser na verdade a nêmesis de escritório de June. Previsivelmente, Chloe está certa, e Fox torna a vida de June um inferno, chegando até a fazer amizade com a Chloe. Ao final, após acidentalmente apunhalar Fox pelas costas, June consegue contornar a situação, já que Fox promete se afastar.
A sub-trama Van Der Beek, se assim podemos chamá-la, envolve Mark querer se declarar a June e não saber como. Ele pede a ajuda de James, e aos dois pertencem os melhores momentos do episódio. A insegurança de Mark e a já mencionada total falta de noção de James tornam a tarefa de escrever uma mensagem no cartão de despedida de June uma verdadeira epopeia cômica. Uma boa solução, para você que não aprecia tramas previsíveis, é pular todas as partes em que aparecem as supostas protagonistas da série, pelo menos desta vez.
Cenas do próximo episódio? Precisamos de mais Van Der Beek e Mark juntos. Fox Paris tem que retornar, com menos roupas e canastrice. O vizinho tarado poderia se mudar de uma vez e June ser menos... June.
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