terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Shameless - S3E01 - El Gran Cañon

Shameless volta para sua terceira temporada sem aquela dose saudável de sem-vergonhices, embora haja um pouquinho de nudez gratuita, consumo de drogas e... um assassinato. As coisas nesse episódio saem de proporção assim, gratuitamente, e não há bons e sadios sinais de verossimilhança vindo por aí. 

Fiona, nossa protagonista pobre, porém honrada (ou quase), está insatisfeita pela rotina que se estabeleceu desde que Jimmy/Steve decidiu ficar com ela. Pobres também ficam entediados, aparentemente, mesmo quando seus parceiros são pessoas atraentes e endinheiradas. Lip também está inquieto, e por isso resolver roubar equipamentos de uma universidade para construir um robô e ganhar uma competição que envolve lutas das máquinas. Ele é inevitavelmente preso e afunda mais alguns centímetros em direção a uma vida satisfatória na zona sul de Chicago. 

Quem está sendo razoavelmente esperto é Ian, que continua estudando para entrar em West Point e se aproveitando da companhia do pai de Jimmy, que ensina matemática ao aspirante. Parece uma troca justa: boquetes por lições de álgebra. 

Frank está no México, tendo lá chegado de maneira desconhecida. Ele apenas acorda com um cachorro literalmente o lambendo e não se lembra de que mês é. Fantástico. É isso que alguém que acabou de entrar na faculdade sonha fazer em um fim de semana maluco, mas Frank já tem uns cinquenta anos. A solução que o patriarca dos Gallagher encontra para atravessar a fronteira é manjada: enfiar balões de coca rabo acima e rezar para que nenhum estoure no trajeto. 

Mais um monte de coisas acontecem, claro, e nenhuma delas importa muito. O interessante dessa série é acompanhar o cotidiano de uma família de classe baixa norte-americana que lida com os dissabores que enfrenta de forma inusitada e absurda, e se viés é fonte de comicidade e estranhamento, ele não é exatamente inverossímil. A trama em que Jimmy é capturado pelo pai de Estefania é completamente estapafúrdia, cada detalhe dela. Não dá para entender por que um traficante procurado pela polícia norte-americana arriscaria ir aos Estados Unidos unicamente para dar um susto na filha e em seu marido. Ou por que, mesmo estando lá, ele mataria o namorado da filha gratuitamente. Ou por que ele, em um iate e trajando roupas de bandido cubano, atiraria em abacaxis ou melancias com uma escopeta. 

E por que, por que, meu deus, não contratam brasileiros, que existem lá aos montes, para atuar nessas produções? Essa preguiça contamina a qualidade geral da série, e a partir de agora faz sentido esperar por mais bizarrices injustificadas. 

Ah, Showtime? Peitos da Emmy Rossum, por favor. 

Cenas do próximo episódio? Frank terá de se tornar um traficante, mas um daqueles bonzinhos e patéticos, Lip ferrará mais ainda sua vida, alguém transará, alguém usará drogas e os peitos da Emmy Rossum vão aparecer mais cedo ou mais tarde. Eba!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Don't Trust the Bitch in Apartment 23 - S2E09 - The Scarlet Neighbor

Meus parabéns aos showrunners de Apartment 23 por desconsiderarem a continuidade da série e dela extirparem suas características mais redentoras, em uma trama tediosa, previsível e sem Van Der Beek awesomeness.  

No último episódio, tinha ficado claro que June estava trabalhando em uma "firma de negócios" e que Mark estava solteiro. Em The Scarlet Neighbor, vemos a co-protagonista no café, de avental, e TRABALHANDO lá, como se nada tivesse acontecido. Além disso, Mark conta a ela que acabou de terminar com sua namorada. Oi? O quê? 

Eu adoro nonsense, não me entendam mal; gostaria apenas de não me sentir enganado pelas séries a que assisto. Retcons, "isso tudo foi apenas um sonho", e um completo descaso com continuidade e coerência me enfurecem. Mesmo que esse seja um episódio cronologicamente anterior ao que foi mostrado no último domingo, por que não nos avisar disso? Because fuck us, that is why

O pior de tudo, porém, é a ausência do Van Der Beek intencionalmente ridículo que passamos a esperar ver. Ele chega ao cúmulo de dar um sermão a June ao final do episódio, encarnando sem ironia o bom e velho e cansativo Dawson Leery. Existe uma razão para zombar-nos do personagem que o consagrou, James: ninguém com mais de 14 anos de idade, e após 1999, poderia levá-lo a sério. 

Na estorinha do episódio, ficamos sabendo que Chloe foi condenada por transar com uma adolescente de 17 anos quando ela tinha 18, e por isso ela tem de avisar a famílias com filhos menores de idade de sua presença. June fica surpresa com isso, e é única. A grande virtude do episódio é mostrar que o moralismo apatetado de June não merece mais do que apenas tolerância e é essa, crianças, a grande lição que podemos extrair de The Scarlet Neighbor: Desde que não seja com menores de idade (e, convenhamos, sem consentimento), vale tudo. 

Cenas do próximo episódio? A não ser que eles tragam de volta o James Van Der Beek que reaprendi a  amar, desisto dessa porra. 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Cougar Town - S4E01 - Blue Sunday

Cougar Town não é para enochatos. Se você gosta de olhar as especificações do vinho antes de abrí-lo, deixá-lo sedimentar a borra em um decantador por diversos minutos e apreciar seu bouquet antes de bebericá-lo pacientemente à procura das nuances de seu gosto, vá assistir a Downton Abbey. E se você é um espectador que necessita de uma escola literária para escolher suas séries, é melhor passar longe também. 

Nos minutos iniciais, duas coisas ótimas acontecem: em primeiro lugar, os personagens entram na casa da protagonista Jules e esta quebra a quarta parede ao dizer que sentiu saudade contar histórias aos demais e ao resto do mundo. É um momento fugaz, que não se perde em meta-análise ou se alonga a ponto de tirar o foco da trama em si, que é baseada nas interações entre os personagens. A segunda coisa é o consumo desenfreado de duas garrafas de vinho abertas sem cuidado, sem classe e sorvido às talagadas. Todos tomam em taças, mas uns copos de requeijão antigos serviriam do mesmo jeito. Essa simplicidade meio jeco-americana da série e de seus personagens é que atordoaria o esnobismo dos especialistas em vinhos ou em narrativas televisivas cômicas do século 21. Cougar Town não é brilhante como Community, nem precisa ser para sua apreciação. Só é necessária a atitude certa. Pegue seus copos americanos de ver televisão e curta a viagem. 

Depois vem o resto da trama, que se passa uma semana após o casamento de Jules e Grayson. Nada mudou desde então. Exceto que, agora que Travis é um homem, é hora de Bobby contribuir um pouco mais nos aprendizados do filho. Conhecem a máxima seinfeldiana (e, posteriormente, davidiana) de que não se deve haver abraços ou lições ao fim do episódio? Bem, aqui há abraços a cada cinco minutos e uma lição ou outra. E, desta vez, ela é ruim: fuja de seus problemas. Corra, literalmente, se preciso for. 

O ajuizado Travis não concorda com seu pai, e tenta fazer Bobby enfrentar seus problemas. Sem muito sucesso, claro. Só que, ao final, provando que a hipocrisia é uma forma de humor tão boa quanto qualquer outra, Travis sai correndo - literalmente - após Laurie indagar a respeito de sua confissão ébria de que a amava no fim da temporada anterior. Demorou, mas lição aprendida. E aqui vai uma para vocês, mulheres, direto dos roteiristas de Cougar Town: homens não gostam de falar sobre seus sentimentos. Aposto que isso é novidade para todas vocês. 

Continuando no arroz com feijão das temáticas de sitcom, Jules exagera a respeito de um sonho com Grayson, Andy é tão capacho de Ellie que nunca, jamais, em todo o período de seu casamento, o pobre homem conseguiu fazer número 2 em casa e Grayson não sabe reconhecer a depressão de sua nova esposa, a personagem mais neurastênica da TV americana. Lição número dois, telespectadoras: homens são uns seres bem pouco perceptivos. 

Todos esses lugares comuns são toleráveis, pois os personagens da série nos cativam. Bobby é um pai daqueles terríveis: ausente, irresponsável, mulherengo e beberrão. É impossível, porém,  não  gostar dele, nem por um instante. Mesmo a Jules de Courtney Cox tem ótimos momentos, ainda mais quando se esquece que a atriz tem usado basicamente o mesmo truque há 20 anos. 

Ao final, há abraços e uma má lição aprendida. E há o epílogo, que parodia as sequências pós-episódio que mostram relances do que acontecerá no restante da temporada. Engraçadíssima e inovadora, justo quando você está satisfeito com o arroz e feijão e é presenteado com um belo sorvete Haagen Dazs. 

Cenas do próximo episódio? Ninguém aprenderá muita coisa, os homens serão colocados mais uma vez em seus lugares pelas mulheres, Travis tentará parecer mais menininha do que já é e com certeza haverá uma partida de Penny Can, pelos velhos e bons tempos. 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Don't Trust the Bitch in Apartment 23 - S2E08 - Paris...

James Van Der Beek senta no último degrau de um lance de escadas na portaria de um prédio, à luz do dia, envergando apenas uma cueca agarradinha. Ele reexamina sua vida, pensando em como seu primeiro professor de atuação pode ter se aproveitado dele na juventude, sem que ele tenha se dado conta disso. Sua estupefação deriva, portanto, de sua total inabilidade de compreender as coisas mais  mundanas, e fora essa ignorância acerca das obviedades cotidianas lhe garantira, até aquele momento, proteção contra o trauma. Lhe resta agora absorver o fato, levantar-se e continuar com sua vida. E ele faz isso. De cuecas. Agarradinhas. Sua ignorância, então, nos garante risadas. 

Saber rir de si mesmo é uma virtude, que deve ser cultivada com carinho. Eventualmente ela dá frutos, e um deles é a série Don't Trust the Bitch in Apartment 23. Antes condenado ao ostracismo, James Van Der Beek topou interpretar uma versão ficcionalizada sua na série, só que de forma afetada, espalhafatosa e, especialmente, obtusa. O personagem representa o estereótipo de ator inseguro e carente de atenção que nós supomos descrever qualquer personalidade hollywoodiana, mas com uma vantagem: a comicidade de sua interpretação é intencional, ciente de seus excessos, e isso transforma a vergonha alheia em entretenimento. James Van Der Beek se expõe desavergonhadamente, propositalmente, e, ao rir de si mesmo, rimos junto com ele. 

Basta de pontificações sobre o porquê de assistir à série, embora seja a atuação de Van Der Beek  talvez a principal razão. No episódio, June começa a trabalhar em uma firma de... negócios ou algo assim. Em seu primeiro dia, conhece uma colega simpática (e gostosa) chamada Fox Paris, que Chloe detecta ser na verdade a nêmesis de escritório de June. Previsivelmente, Chloe está certa, e Fox torna a vida de June um inferno, chegando até a fazer amizade com a Chloe. Ao final, após acidentalmente apunhalar Fox pelas costas, June consegue contornar a situação, já que Fox promete se afastar. 

A sub-trama Van Der Beek, se assim podemos chamá-la, envolve Mark querer se declarar a June e não saber como. Ele pede a ajuda de James, e aos dois pertencem os melhores momentos do episódio. A insegurança de Mark e a já mencionada total falta de noção de James tornam a tarefa de escrever uma mensagem no cartão de despedida de June uma verdadeira epopeia cômica. Uma boa solução, para você que não aprecia tramas previsíveis, é pular todas as partes em que aparecem as supostas protagonistas da série, pelo menos desta vez. 

Cenas do próximo episódio? Precisamos de mais Van Der Beek e Mark juntos. Fox Paris tem que retornar, com menos roupas e canastrice. O vizinho tarado poderia se mudar de uma vez e June ser menos... June. 


Revenge - S2E10 - Power

Revenge volta de seu hiato das festas do fim do ano em um tímido ensaio de volta às suas raízes. Emily novamente entranha-se nos assuntos da família Grayson e beija o agora CEO da Grayson Global Daniel; um dos responsáveis pelo aprisionamento de David Clarke é forçado a pagar por seus crimes, em um enredo de vingança que lembra os dos primeiros episódios da temporada inaugural; e Declan recupera seu status de pior personagem/irmão/namorado da série. 

Há também o velho truque do triângulo amoroso, formado desta feita por Emily, Daniel e Aiden. Assim como Jack, o ultimo a cortejar esse posto, Aiden também tem um ponto fraco na família que o transforma em um completo bundão, que é sua irmã desaparecida. Em um dos poucos desenvolvimentos da trama geral, ele é confrontado por Helen, da Iniciativa, que afirma ter sua irmã refém e que deseja fazer um acordo em breve para liberá-la. É quase possível ver planos de traição a Emily se formando em seu semblante de mau ator. 

Falando nisso, a série teria mais verossimilhança se seu nome fosse Betrayal. Emily, por exemplo, beija Daniel com Aiden na mesma casa. Biscatice, mesmo que isso seja parte de seu plano maligno de vingança. O tal Marco trai a Grayson Global por Nolan depois de ter feito exatamente o oposto uns dois episódios atrás. Conrad, curtindo suas férias e muito sem-vergonhamente pretendendo entrar na política, entrega o juiz responsável pelo julgamento de David Clarke aos leões no primeiro sinal de problema. 

O estratagema vingativo de Emily da semana, que ferrou o tal juiz aparecido do nada, foi um daqueles que era tão transparente e tão suscetível a dar errado que é de se pensar se os roteiristas não resolveram aproveitar o intervalo mais do que deveriam, tendo que bolar a trama em meia hora. A preguiça também é notável na subtrama ridícula de Jack e seus novos sócios. Que isso se resolva logo e o maldito Declan vá para a porra da faculdade. 

A mitologia da série não evoluiu muito nesse episódio burocrático e aborrecido. A Iniciativa não se estabeleceu ainda como grande ameaça e o casal Grayson, Victoria e Conrad, parecem ser meros coadjuvantes a essa altura. A ausência de um antagonista talvez explique a necessidade de mostrar Emily fazendo o que faz melhor, vingar-se, mas a maneira como isso foi feito dessa vez foi decepcionante. 

Cenas do próximo episódio? Aiden confirmará sua poltronice e se curvará à Iniciativa, traindo Emily; Daniel continuará o bom cuzão em que se transformou; Jack continuará preso e fodido, até que seu irmão ferre mais as coisas e ele acabe, sei lá, morto; o casal do mal, Victoria e Conrad, terá ainda mais disputas domésticas irrelevantes; Nolan sairá fodido de duas maneiras com sua nova aliança com Marco; e nossa querida protagonista terá que se virar com um vibrador se não quiser se relacionar com idiotas. Ah, e haverá vingança. E traição.