Shameless volta para sua terceira temporada sem aquela dose saudável de sem-vergonhices, embora haja um pouquinho de nudez gratuita, consumo de drogas e... um assassinato. As coisas nesse episódio saem de proporção assim, gratuitamente, e não há bons e sadios sinais de verossimilhança vindo por aí.
Fiona, nossa protagonista pobre, porém honrada (ou quase), está insatisfeita pela rotina que se estabeleceu desde que Jimmy/Steve decidiu ficar com ela. Pobres também ficam entediados, aparentemente, mesmo quando seus parceiros são pessoas atraentes e endinheiradas. Lip também está inquieto, e por isso resolver roubar equipamentos de uma universidade para construir um robô e ganhar uma competição que envolve lutas das máquinas. Ele é inevitavelmente preso e afunda mais alguns centímetros em direção a uma vida satisfatória na zona sul de Chicago.
Quem está sendo razoavelmente esperto é Ian, que continua estudando para entrar em West Point e se aproveitando da companhia do pai de Jimmy, que ensina matemática ao aspirante. Parece uma troca justa: boquetes por lições de álgebra.
Frank está no México, tendo lá chegado de maneira desconhecida. Ele apenas acorda com um cachorro literalmente o lambendo e não se lembra de que mês é. Fantástico. É isso que alguém que acabou de entrar na faculdade sonha fazer em um fim de semana maluco, mas Frank já tem uns cinquenta anos. A solução que o patriarca dos Gallagher encontra para atravessar a fronteira é manjada: enfiar balões de coca rabo acima e rezar para que nenhum estoure no trajeto.
Mais um monte de coisas acontecem, claro, e nenhuma delas importa muito. O interessante dessa série é acompanhar o cotidiano de uma família de classe baixa norte-americana que lida com os dissabores que enfrenta de forma inusitada e absurda, e se viés é fonte de comicidade e estranhamento, ele não é exatamente inverossímil. A trama em que Jimmy é capturado pelo pai de Estefania é completamente estapafúrdia, cada detalhe dela. Não dá para entender por que um traficante procurado pela polícia norte-americana arriscaria ir aos Estados Unidos unicamente para dar um susto na filha e em seu marido. Ou por que, mesmo estando lá, ele mataria o namorado da filha gratuitamente. Ou por que ele, em um iate e trajando roupas de bandido cubano, atiraria em abacaxis ou melancias com uma escopeta.
E por que, por que, meu deus, não contratam brasileiros, que existem lá aos montes, para atuar nessas produções? Essa preguiça contamina a qualidade geral da série, e a partir de agora faz sentido esperar por mais bizarrices injustificadas.
Ah, Showtime? Peitos da Emmy Rossum, por favor.
Cenas do próximo episódio? Frank terá de se tornar um traficante, mas um daqueles bonzinhos e patéticos, Lip ferrará mais ainda sua vida, alguém transará, alguém usará drogas e os peitos da Emmy Rossum vão aparecer mais cedo ou mais tarde. Eba!